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Conteúdo · Clima e engajamento

Custo de turnover: traduzindo clima em R$

GestãoLeitura de 8 minAtualizado em 18 de agosto de 2026

Quando o RH pede orçamento para trabalhar clima, quase sempre perde a disputa para uma iniciativa que chega com número. Não é que clima importe menos — é que ele costuma ser apresentado em sentimento ("o time está desmotivado"), e decisão de orçamento se toma em R$. Traduzir a rotatividade em dinheiro muda o tom da conversa: deixa de ser um pedido de bem-estar e passa a ser um caso de redução de custo.

A boa notícia é que você não precisa de um estudo acadêmico para começar. Precisa de uma estimativa transparente, com premissas que qualquer pessoa da diretoria possa conferir e discutir.

Do que é feito o custo de uma saída

Quando alguém sai, o custo não é só a rescisão. Ele se espalha por várias frentes, e boa parte fica invisível na planilha:

  • Saída: verbas rescisórias e o tempo de RH e gestão para conduzir o desligamento.
  • Vaga aberta: o que deixa de ser produzido enquanto a posição fica vazia, e a sobrecarga de quem cobre o buraco.
  • Recrutamento e seleção: anúncios, triagem, entrevistas, eventual agência.
  • Integração e curva de aprendizado: a pessoa nova leva semanas ou meses até produzir como quem saiu.
  • Efeito no time: quando a saída é por insatisfação, ela raramente vem sozinha — mexe com quem fica.

Um método simples de estimar

A forma mais honesta de começar é assumir que cada saída custa uma fração do salário anual daquela posição e deixar essa fração explícita, para poder ajustar. Estimativas variam muito entre setores e cargos, então trate o número abaixo como ponto de partida para calibrar com a sua realidade, não como uma verdade de mercado.

Custo estimado de turnover no ano = número de saídas evitáveis x (fração do salário anual x salário anual médio da posição).

Um exemplo, passo a passo

Suponha uma empresa com salário médio de R$ 3.000 por mês, ou R$ 36.000 por ano. Digamos, como premissa a ajustar, que cada saída custe o equivalente a quatro meses de salário — R$ 12.000 por desligamento, somando os itens acima. Se a empresa perde 10 pessoas por ano e você estima que metade dessas saídas seria evitável com melhores condições, são 5 saídas evitáveis.

5 saídas evitáveis x R$ 12.000 = R$ 60.000 por ano em custo potencialmente endereçável. Troque as premissas pelas suas e o número muda — mas a ordem de grandeza costuma surpreender quem nunca fez a conta.

Onde a escuta entra

Escutar não elimina turnover — parte da rotatividade é saudável e inevitável. O que a escuta faz é ajudar a separar o evitável do inevitável: entender os motivos recorrentes de saída, agir sobre os que estão sob controle da empresa (carga, liderança, reconhecimento, clareza de papel) e acompanhar se a ação mudou o número no ciclo seguinte.

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O objetivo não é prometer que clima resolve turnover sozinho, e sim dar à diretoria uma conta que ela entende: aqui está o custo estimado, aqui está a parte que dá para atacar, e aqui está como vamos medir se funcionou.

Os valores acima são ilustrativos e servem apenas para demonstrar o método. Substitua pelas premissas e pelos dados reais da sua empresa antes de usar em qualquer decisão.

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